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Crônica nº. 01

  • Foto do escritor: Rotina entre livros
    Rotina entre livros
  • 20 de out. de 2018
  • 2 min de leitura

Há um certo tempo comecei a andar um pouco retraída. Reportagens tristes em jornais, notícias inverídicas tratadas como verdades absolutas, diálogos carregados de ódio e rancor. Minhas defesas estavam abaladas, eu me sentia triste. Obviamente isso não ocorreria se eu não tivesse herdado a sensibilidade indesejada de meu pai, a qual me impede de ver todas as coisas com uma frieza calculista. Pelo contrário, o sangue ferve, os olhos choram e o coração aperta. Maldito coração.



Aí, um certo dia, li uma frase de Isabel Allende, escritora que adoro, que dizia "o meticuloso exercício da escrita pode ser a nossa salvação. Pronto, tinha descoberto um modo de sair do círculo de tristeza autodestrutivo a mim imposto pelos acontecimentos atuais: comecei a escrever.

Aventurei-me fazendo alguns poemas ridiculamente ruins, revi outros textos escritos no auge de minha adolescência, mas não segui em frente e o sentimento, como o pássaro azul preso no peito de Bukowski, continuava aprisionado em meu coração. Faltava algo.

E foi somente quando olhava para meu cachorro com um Papai Noel de pelúcia na boca (sim, já estamos decorando a casa para o natal), que a idéia de criar um blog com crônicas (e outras amenidades) me veio óbvia, certa e pungente, como um soco na cara ou como uma veia dilata, prestes a romper. Eu precisava publicar o que escreveria.

Logo qual seria o sentido se eu não compartilhasse aquilo que colocaria no papel? Os sentimentos apenas mudariam de domicílio, mas continuariam ali, olhando-me, trancafiados, prestes a explodirem.

Então, nessa hora, sob o olhar leve de meu cachorro, tomei a coragem de iniciar esse projeto, leve, sem pretensões, fruto apenas de um desejo de liberdade, igual quando soltamos o cabelo do penteado formal ou desabotoamos a calça jeans apertada ou tiramos aquele sapato apertado que tanto incomodava.

E como fiquei feliz com essa decisão.

Sejam bem-vindos.

 
 
 

1 comentário


q.penelope
08 de fev. de 2019

Que loucura! Foi exatamente assim que aconteceu comigo! Me sinto muito mais do que bem vinda!

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